segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ser Gaúcho (continua)

"Cara, que orgulho de ser GAÚCHO!"

(momento gaudério)

Aí, vô: pra ti!

"Por onde andará o semblante
De um avô maragato
Que eternizou seu silêncio
Na moldura de um retrato
E dos seus causos antigos
Desses campeiros de fato
Quem sabe andam perdidas
Na saudade dos avós
Ou presas dentro do peito
Querendo saltá na voz
Mas bem certo elas se acham
Guardadas dentro de nós
Onde andará...
Onde andará...
Dentro de nós!"

Onde Andará - Gujo Teixeira, Joca Martins e Fabiano Bacchieri.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Meu avô: um guerreiro!

Nasceu já faz tempo!
Onde? Não se sabe.
Talvez na terra dos guerreiros
Ou num lugar de sonhos.

Guerreiro e sonhador
Amou e criou seus filhos
Com total zelo
Como um eterno pai.

Seus netos tão distantes,
Mas tão presentes em sua memória,
Que às vezes falhava,
Porém, sempre perguntava: e o Fulaninho?

De suas batalhas
A mais comovente não foi a da Itália
Na Segunda Guerra Mundial
Foi com a vida, nos últimos momentos.

Guerreiro, se apegou com unhas e dentes
E aí de quem duvidasse dele.
Teimoso. Insistia em ficar,
Mas não conseguiu resistir à força do seu destino.

Onde está? Não sei.
Deve estar matando as saudades de sua outra amada.
Amada vó, que não conheci,
Mas é tão bem lembrada.

Vai, vô! Vai...
Faz, mais uma vez, a tua história.
Ergue a tua cabeça com o orgulho
De ser Bandeira e vai.

Vai, vô! A eternidade é tua companheira, agora.
Já fizestes tudo por aqui.
Vai, que tomo conta da mãe, que sentirá saudades,
Mas que se conforta em saber que tu estás bem.

Vai, vô. Eu fico aqui...
Mas daqui uns anos, longos anos,
Estaremos juntos e poderá me dar aquele abraço:
"Upa lá lá".

Ao meu avô, com muito amor.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Preta

Ela não é mais a mesma
Dizem por aí que conheceu o mundo.
Mas que mundo é esse que eu não conheço?
Nada, nem ninguém, agora, podem pará-la.

Seu sorriso de menina foi substituído.
Sua alegria doce foi trocada.
Seu olhar meigo foi arrancado.
Mas o coração ainda bate calado.

Seus sonhos já são outros
E aquela cor-de-rosa está mais forte
A cor já não sei qual é.
Não é nem vermelho nem preto.

O que sei é que ela está lá
Linda, como sempre.
Agarrada às suas decisões mais insanas
E assim é a sua vida.

Como a de todos os outros.
Altos, baixos, quente e frio.
Humana e rocha. Um paradigma, será?
Mas dizem que ela conheceu o mundo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Estilo Twitter


Numa bela tarde de um dia qualquer fui demitido. Meu mundo ficou um pouco sem norte, sem sombra, sem nada. Meu salário, meu dinheiro, minhas responsabilidades, meus planos, meus sonhos mais uma vez teriam de ser adiados. Acostumado com esta vida cheia de altos e baixos...

-@-

Então, como não estou trabalhando e minha faculdade ainda está no início do semestre, resolvi viajar. Estou na minha terrinha: Rosário do Sul. Aqui, vi a minha infância e adolescência novamente, andando pelas ruas. Vi lugares que me retornaram aos bons velhos tempos de bebedeiras com os amigos. Resumo essa viagem com uma palavra, somente: resgate.

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Resgate, sim. Resgatei momentos da minha memória já tão esquecidos em uma das gavetas da vida. Revi amigos, pessoas, parentes e isso foi legal, foi interessante, foi algo novo, mesmo sendo algo velho, mas que não caiu em desuso. Tão legal poder acordar tarde, ir buscar a mãe no trabalho, voltar, dormir um pouco, tomar um café com a vó e depois ver os amigos. Viagem nenhum pouco light.

-@-

Talvez, depois de Rosário, eu vá a Porto Alegre visitar minha outra vó. Faz tempo que não a vejo e sei que preciso ir lá. Preciso ver meu vô que está se despedindo, qualquer dia desses. Vou aproveitar que não estou trabalhando e tenho tempo sobrando. Não sei, ainda, mas tudo indica que eu vá.

-@-

Porém, mesmo estando curtindo a viagem, hoje aconteceram algumas coisas que me deixaram um tanto quanto chateado. Certas comunidades no Orkut não precisariam nem ser visitadas e sim interpretadas com aquela malícia. Ingenuidade? Deixemos apenas para a Cinderela. Depoimentos: para quê, né? Falta de consideração ¬¬

-@-

Não sei.

-@-

Em viagem. Estilo Twitter.

terça-feira, 27 de julho de 2010

E agora?


E no meio de uma madrugada gélida, Drummond e Matheus bêbados dialogando:

_ E agora, José?
_ Pois é... Eis a pergunta que não quer calar.
_ A festa acabou.
_ Eu sei.
_ A luz apagou.
_ Mas a esperança continua!
_ O povo sumiu.
_ Mas o pai volta no domingo e a mãe fica mais um pouco em Rosário.
_ A noite esfriou.
_ É que estou sem lenha para queimar na lareira, desculpa.
_ E agora, José?
_ Me chame de "você" já que não decorou meu nome.
_ E agora, Você?
_ E agora, o quê?
_ Você, que faz versos, que ama, protesta?
_ Não protestei. Apenas, desabafei contigo, Carlos!
_ E agora, José?
_ Calma. Vou ao banheiro. Carlos, já falei que meu nome é Matheus.
_ Sozinho no escuro, qual bicho do mato...
_ Espera que vou acender a luz da sala.
_ Sem teogonia...
_ Quê?
_ Sem parede nua para se encostar...
_ Carlos, acho melhor parares de beber! Tu não estás bem!
_ Sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José!
_ Tu fumou maconha ou o vinho te deixa assim?
_ José, para onde?
_ Relaxa! Eu só vou ao banheiro. Aliás, pela última vez: meu nome é Matheus!

(Adaptação de José, de Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 25 de julho de 2010

Aquela Árvore


Foi num domingo quando a vi pela primeira vez. Passeava de carro com uma antiga namorada minha. Ela estava lá: parada, pregada, feito estátua. Eu a observei de relance e não pude reparar como era o seu corpo, a sua cor e o seu charme. Outro dia voltei ao lugar que a encontrei. Com a correria do dia, também, não foi desta vez que analisei suas características.

Então, o tempo passou. Na sexta-feira santa de dois mil e sete eu consegui, finalmente, olhá-la, analisá-la, pude repará-la. Enxerguei, olhei, vi, reparei em tudo. Ela ali parada, sem movimentação. Eu aqui parado, fumando meu cigarro na sacada da minha casa intrigado com aquela árvore.

Ela, que no primeiro dia que a vi não movimentara nenhum galho, nenhuma folha, nada, hoje, quase dança para o seu espectador, seu fã, mais presente e mais apaixonado. Com seus galhos cheios de folhas, ela os move com tanto carisma, tanto romantismo, que, eu, fumando meu cigarro, me perco em meio aos seus movimentos suaves.

Ela ali parada e o mundo girando sem nem explicar o que está acontecendo e como está acontecendo. Ainda não estou dialogando com a árvore. Calma! Minha loucura não é tanta, assim. Porém, ela me passa um certo ar de mistério e até mesmo, devo confessar, de amizade.

Foi para ela que contei meus planos mais secretos, aliás, para ela e para o meu cigarro, que se ia, com o vento. Foi para ela, também, que reclamei meus amores e desamores. Embaixo de um banho de lua clara ri, muitas vezes, olhando para a minha frente e encontrando a dança dos galhos e das folhas verdes. No meio do vento, do frio, da chuva, do calor e do sereno eu sempre a vejo. Como sempre: linda, exuberante, imponente.

E eu sempre e cada vez mais apaixonado por sua presença. Ora, tantos autores indeusaram as mulheres, o sertão, seco, empoeirado, pobre, sujo. Tantos outros mistificaram a presença de índios sacanas, ignorantes. Cada um exalta aquilo que merece, em sua concepção, ser exaltado. Hoje, peço licença para falar da minha árvore.

Tantas mudanças aconteceram na minha vida desde dois mil e sete. Desde o primeiro dia do nosso encontro, não sou mais o mesmo e acredito que ela também não seja, afinal, são três anos. Três anos que mantemos uma amizade secreta e um fascínio escondido. Há três anos, quando vou para a sacada fumar meu cigarro e sempre a vejo e com a mesma intensidade ela me intriga e me faz pensar que tudo muda ao seu redor, enquanto ela está parada.

Tantas coisas aconteceram. Três anos, afinal, se passaram. Muito ri para ela e chorei. Muito contei meus casos de amores perdidos e achados. Muito reclamei que o meu emprego era ruim. Desabafos foram e vieram em meio ao dia e à madrugada, através de uma tragada, uma baforada, uma risada e uma lacrimejada.