terça-feira, 5 de março de 2013

Que seja sobre amor, então.

Sobre o que escrevo, devo dizer que acredito que falta muito para me tornar um escritor. Algumas pessoas, amigos meus, logo, suspeitos a falar, me qualificam como sendo um escritor, mas, realmente, não me vejo assim. Costumo dizer que sou só um cara que gosta de escrever. Só isso. Simples. Mas, agora, me vejo um pouco cansado de escrever sobre o amor. A maioria dos meus contos ou crônicas falam de tal sentimento que toma conta de todas as pessoas do mundo. Aí eu penso que antes eu falava sobre diversas coisas. Às vezes escrevia sobre política, defendendo meus ideais, outras sobre o cotidiano, enfim, sobre inúmeras coisas. O amor, as relações sempre fizeram parte do meu vocabulário, mas agora está demais. É como se fosse um balde embaixo de uma torneira quase transbordando d'água. Chega uma hora que cansa! Gostaria de falar sobre a situação da minha cidade, dominada financeiramente por pessoas de outros estados ou, então, sobre a maneira firme que a presidente Dilma está conduzindo o país ou, até mesmo, sobre o crescimento fraco do PIB este ano e a queda histórica do número de desemprego. Poderia escrever sobre algum filme do Almodóvar, de Marilyn Monroe, da tristeza realista dos textos de Clarice ou, quem sabe, da nada sutil opinião política da Rede Globo. Poderia escrever um conto que falasse sobre amizade, dois meninos ou um casal ou duas meninas, mas não. Tantas coisas que me rodeiam e eu só falo de amor. Cansa! Falaria bem (eu acho) sobre o egocentrismo que Nietszche cultuava e fazia com que os outros passassem a pensar desta forma, uma coisa meio que: "eu por mim mesmo e, ainda sozinho, sou melhor que todos." Minha mãe daria uma bela crônica, meu pai um conto, talvez, e minhas irmãs ótimas poesias, quem sabe. Até meus cachorros seriam temas interessantes, mas não. Definitivamente, o amor toma conta de minhas palavras e acabo escrevendo somente sobre ele. Uma hora é porque inventei uma cena ou vi que um amigo voltou com a namorada ou, até mesmo, por ter conhecido alguém ou revisto um amor do passado/presente. Critico tanto a Martha Medeiros (ela possui textos que eu gosto - calmem) e estou me sentindo meio como ela: óbvio. Acredito que deva mudar isso. Notar a realidade do cotidiano, nos seus pormenores. No seu âmago (que palavra linda). E quando eu voltar a escrever, postando um outro texto, que seja sobre outra coisa, mas se tiver de ser de amor, que seja, então.

Um comentário:

adriane disse...

Muito interessante tua autocrítica.
Ocorre que muitas vezes, falas de tudo o que mencionaste, mas eivado de amor, porque, no final, e eu ainda estou escrevendo um ensaio que nunca termino sobre isso, escrever é um ato de amor em si, seja falando do sentimento amor, seja falando de temas atuais, porque, no fundo, somente quem ama as coisas, as pessoas, os animais e o mundo é quem pode falar sobre isso.
Mas se desejares variar, esteja a vontade, tudo pode quem escreve.
Um abraço.