Sobre o que escrevo, devo dizer que acredito que falta muito para me tornar um escritor. Algumas pessoas, amigos meus, logo, suspeitos a falar, me qualificam como sendo um escritor, mas, realmente, não me vejo assim. Costumo dizer que sou só um cara que gosta de escrever. Só isso. Simples. Mas, agora, me vejo um pouco cansado de escrever sobre o amor. A maioria dos meus contos ou crônicas falam de tal sentimento que toma conta de todas as pessoas do mundo. Aí eu penso que antes eu falava sobre diversas coisas. Às vezes escrevia sobre política, defendendo meus ideais, outras sobre o cotidiano, enfim, sobre inúmeras coisas. O amor, as relações sempre fizeram parte do meu vocabulário, mas agora está demais. É como se fosse um balde embaixo de uma torneira quase transbordando d'água. Chega uma hora que cansa! Gostaria de falar sobre a situação da minha cidade, dominada financeiramente por pessoas de outros estados ou, então, sobre a maneira firme que a presidente Dilma está conduzindo o país ou, até mesmo, sobre o crescimento fraco do PIB este ano e a queda histórica do número de desemprego. Poderia escrever sobre algum filme do Almodóvar, de Marilyn Monroe, da tristeza realista dos textos de Clarice ou, quem sabe, da nada sutil opinião política da Rede Globo. Poderia escrever um conto que falasse sobre amizade, dois meninos ou um casal ou duas meninas, mas não. Tantas coisas que me rodeiam e eu só falo de amor. Cansa! Falaria bem (eu acho) sobre o egocentrismo que Nietszche cultuava e fazia com que os outros passassem a pensar desta forma, uma coisa meio que: "eu por mim mesmo e, ainda sozinho, sou melhor que todos." Minha mãe daria uma bela crônica, meu pai um conto, talvez, e minhas irmãs ótimas poesias, quem sabe. Até meus cachorros seriam temas interessantes, mas não. Definitivamente, o amor toma conta de minhas palavras e acabo escrevendo somente sobre ele. Uma hora é porque inventei uma cena ou vi que um amigo voltou com a namorada ou, até mesmo, por ter conhecido alguém ou revisto um amor do passado/presente. Critico tanto a Martha Medeiros (ela possui textos que eu gosto - calmem) e estou me sentindo meio como ela: óbvio. Acredito que deva mudar isso. Notar a realidade do cotidiano, nos seus pormenores. No seu âmago (que palavra linda). E quando eu voltar a escrever, postando um outro texto, que seja sobre outra coisa, mas se tiver de ser de amor, que seja, então.
terça-feira, 5 de março de 2013
Que seja sobre amor, então.
Sobre o que escrevo, devo dizer que acredito que falta muito para me tornar um escritor. Algumas pessoas, amigos meus, logo, suspeitos a falar, me qualificam como sendo um escritor, mas, realmente, não me vejo assim. Costumo dizer que sou só um cara que gosta de escrever. Só isso. Simples. Mas, agora, me vejo um pouco cansado de escrever sobre o amor. A maioria dos meus contos ou crônicas falam de tal sentimento que toma conta de todas as pessoas do mundo. Aí eu penso que antes eu falava sobre diversas coisas. Às vezes escrevia sobre política, defendendo meus ideais, outras sobre o cotidiano, enfim, sobre inúmeras coisas. O amor, as relações sempre fizeram parte do meu vocabulário, mas agora está demais. É como se fosse um balde embaixo de uma torneira quase transbordando d'água. Chega uma hora que cansa! Gostaria de falar sobre a situação da minha cidade, dominada financeiramente por pessoas de outros estados ou, então, sobre a maneira firme que a presidente Dilma está conduzindo o país ou, até mesmo, sobre o crescimento fraco do PIB este ano e a queda histórica do número de desemprego. Poderia escrever sobre algum filme do Almodóvar, de Marilyn Monroe, da tristeza realista dos textos de Clarice ou, quem sabe, da nada sutil opinião política da Rede Globo. Poderia escrever um conto que falasse sobre amizade, dois meninos ou um casal ou duas meninas, mas não. Tantas coisas que me rodeiam e eu só falo de amor. Cansa! Falaria bem (eu acho) sobre o egocentrismo que Nietszche cultuava e fazia com que os outros passassem a pensar desta forma, uma coisa meio que: "eu por mim mesmo e, ainda sozinho, sou melhor que todos." Minha mãe daria uma bela crônica, meu pai um conto, talvez, e minhas irmãs ótimas poesias, quem sabe. Até meus cachorros seriam temas interessantes, mas não. Definitivamente, o amor toma conta de minhas palavras e acabo escrevendo somente sobre ele. Uma hora é porque inventei uma cena ou vi que um amigo voltou com a namorada ou, até mesmo, por ter conhecido alguém ou revisto um amor do passado/presente. Critico tanto a Martha Medeiros (ela possui textos que eu gosto - calmem) e estou me sentindo meio como ela: óbvio. Acredito que deva mudar isso. Notar a realidade do cotidiano, nos seus pormenores. No seu âmago (que palavra linda). E quando eu voltar a escrever, postando um outro texto, que seja sobre outra coisa, mas se tiver de ser de amor, que seja, então.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Suplício de amor
Entra, meu amor. Fica à vontade. Puxa uma cadeira. Senta aí. Aceitas um café? Me conta do teu dia, dos teus sonhos, do teu passado. Fala daquela foto em que apareces de aparelho, denunciando a adolescência com espinhas no rosto e roupas esquisitas. Fala, também, daquela tua vizinha que tu não gostavas e que brigavam toda a vez que se encontravam. Fala dos teus estudos, da tua dificuldade na matemática. Conseguiu decorar, enfim, a tabuada do sete? Senta aí, fica à vontade. Solta esta bolsa, que deve estar pesada, mas, sobretudo, me explica: o que queres?
Não seja cínica e nem bipolar. Explica o que tu sentes! Senta. Fala aí. Fala agora. Poxa! Bota para fora, despeja a tua verdade e faz dela a minha verdade, porque por enquanto trabalho com insinuações, ideias, conjecturas minhas e nada de ti. Solta o cabelo. Fica à vontade, mas me fala. Eu preciso saber o que está se passando aí nesse coraçãozinho. Tu te sentes só? Eu imagino que sim, mas tu também fazes eu me sentir só e, além disso, inseguro.
Por favor, não peça para eu decidir nada. Sou péssimo com essas coisas. Me pega pelo braço e me obriga a fazer as coisas. As que eu quiser, obviamente, farei. É simples. É do nosso mundo que estou falando. É desta bagunça que me encontro que quero sair, mas para isso acontecer, eu preciso que tu me expliques. Por favor. Desabafa comigo. Não foge. Não peço casamento, nem noivado, nem namoro. É tão simples dizer que o sentimento fez morada em outro endereço ou que não me pertences mais de alguma outra forma.
O tempo já passou um pouco. Tuas dúvidas já poderiam ter sido sanadas e os meus medos escondidos, pelo menos, mas não. O que é isso? Fala! Fala comigo! Olha pra mim! Olha nos meus olhos e diz. É tão difícil? Sei que desabafar não é fácil, mas tenta facilitar um pouquinho só as coisas, por favor. Isto é um suplício. Preciso me ajoelhar? Não, né? Me conheceste, nos conhecemos e vi teus problemas. Tentamos nos ajudar e agora parece que os problemas somos nós. Me explica.
Queres um cigarro? Sei lá, nessas horas a nicotina sempre ajuda. Apesar de saber que tu não fumas e ainda pedes para que eu pare... Eu só estou tentando te ajudar. Fala. Te abre comigo. Montra aquele sorriso novamente. Me chama daquele apelidinho engraçado que eu te chamo também. Vamos nos ajeitar? Mas, antes disso, me responde: por quê? O que está acontecendo?
E depois de explicar, de falar, fica, amor. Vê se fica. Esta chegada tua me fez tão bem e eu estou tão cansado de partidas. Vê se fica mesmo, de verdade. Te faço cafuné e café na cama. Talvez, até massagens. Só não me faça te dar tchau, novamente. Chega para ficar. Chega para me amar. Chega, te instala, fica e me ama.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Como Frida Kahlo.
Acabei de assistir o filme Frida, que conta a história da vida da maior pintora do México, Frida Kahlo, e, sinceramente, me encantei por esta mulher. Sempre tive vontade de conhecer a história daquela mulher com as sobrancelhas juntas, que nunca conheceram uma pinça e me condeno até hoje, até agora, por não tê-lo feito antes. O filme foi dirigido muito bem por não sei quem e a fotografia é perfeita. A trilha sonora é da mais alta qualidade e os atores dão um banho. Mas, sobre a vida dela, sou impulsionado a dizer que foi uma mulher a frente de seu tempo. O México era pouco para ela. Não estou menosprezando o país e, sim, afirmando que na verdade qualquer lugar no mundo seria pequeno para ela.
Desejo que todas as pessoas tenham, dentro de si, um pouco de Frida Kahlo. Vi nela uma ansiedade por vida como nunca imaginaria encontrar em uma mulher que sofreu durante toda sua existência. No entanto, a displicência para com a própria vida, no sentido de aproveitar cada minuto foi o que mais me chamou atenção.
Suas obras, pelo menos as que eu vi no filme, não enfeitariam as paredes da minha casa, a não ser seu autorretrato, que não seria pendurado pela beleza, mas pelo o que ela passou a representar na minha vida a partir de agora. Doente, nunca desistiu de viver um minuto sequer e as tristezas que a abatiam faziam com que ela se mantivesse de pé, lutando, guerreando contras as forças que vinham dela mesma. O que nós devemos fazer todos os dias e, inconscientemente ou inconsequentemente, fazemos.
Lembrei, por um momento, da minha mãe. Ela venceu uma doença terrível e teve meu apoio durante todo o período da “grande depressão”. Mas, comparando-as, gostaria que a minha mãe tivesse sido um pouco Frida Kahlo, ao passar pelo seu pior momento. Talvez se tivesse sido sofreria menos ou poderia ter feito poesia enquanto recebia quimioterapia. Quem sabe tirar os coelhos da cartola, em um momento de choro, não seja o grande segredo da vida!?
Quem sabe se ao invés de reclamarmos tanto de um sapato apertado, nós simplesmente descalçando-os não nos sentiremos melhores? Talvez o que falte em nós seja o espírito febril e fogoso da Frida (intimidade em chamá-la pelo primeiro nome).
Nos acostumamos com a desgraça de nossas vidas. Falta de dinheiro, falta de amor, falta de confiança, falta de escrúpulos, falta de respeito, falta de fé, falta de tanta coisa e esquecemo-nos que existe tanta sobra em nós mesmos. Sobra carinho, sobram sorrisos, sobram lágrimas de alegria, sobram afetos, sobram gargalhadas, sobra amor, por mais difícil que seja encontrar um, mas, enfim, fazer do limão uma limonada (se preferir: adicione vodka e gelo e terás uma caipirinha).
Levanta e caminha, se tens pernas e pés. Sorria, se tens dentes ou falta de vergonha. Abrace, se te faz bem. Esqueça esta palhaçada de sexo ou sexualidade! Viva! Faça questão de esquecer, também, alguns outros pudores. Anime-se. Corra riscos. Esqueça de lembrar que dores existem e crises existências também. Ninguém nunca voltou para dizer o que nossa passagem pela Terra deva realmente significar. Não se prenda a pudores católicos, evangélicos ou quaisquer que sejam. Eles só te proíbem. Vive a tua vida e esquece a dos outros. Seja mais Frida Kahlo. Tira a tua roupa e anda pelada(o) pela casa, afinal, se os vizinhos verem alguma coisa, eles é que se incomodarão (ou não).
Ama sem medo de ser enganado. Não tenhas vergonha se caso fores. Não foste tu o errado na história, afinal, dar a mão não é pecado nenhum. Emprestar um pouco da tua vida a outro alguém significa muito mais do que simplesmente ter alguém. Ama aquele que se entrega sem medo. Isso foi a vida de Frida Kahlo. Isto foi o que pude notar no filme.
Por isso, desejo que todos os meus amigos, ou qualquer pessoa, sejam um pouco Frida Kahlo.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Poetas de Pijama e eu.
Sabe quando as oportunidades aparecem e batem na porta da tua casa, causando uma enorme surpresa agradável? Pois é, eu não sabia até uma amiga minha (Vânia Oliveira) comentar comigo que estavam selecionando escritores (embora eu não me considere um) para fazer parte de um livro, que um grupo da FURG estava produzindo. Com minha petulância, apostei nisso e fui muito bem recebido pelo grupo. O Poetas de Pijama, da FURG, me recebeu de braços abertos, me acolhendo de forma inesperada por mim, pois me formei em outra universidade e nunca fiz nada lá pelas bandas da federal. E isso não fez a menor diferença. O que pesou a meu favor, e que é a busca do grupo, é a vontade de fazer poesias, textos, crônicas, contos, enfim, vontade em fazer literatura.
Aí mandei uns textos meus e fui selecionado, entre tantos escritores - de verdade. O resultado está estampado nas páginas do livro Poetas de Pijama, brilhantemente produzido por Mayara Floss e Pedro Porciúncula, os quais eu agradeço IMENSAMENTE a oportunidade em ter feito parte deste projeto e, desde já, me convidando, de outros que o grupo possa produzir novamente.
Agradeço cada um que me apoiou para a realização deste sonho: pais, amigos, família e todo mundo. Gostaria de poder enviar um exemplar ao meu saudoso amigo Moacyr Scliar, que, sem dúvida, foi a pessoa que mais me incentivou a escrever, quando estava desistindo da ideia, mas, infelizmente, não posso fazê-lo, então, carrego comigo a dedicatória a ele de todos os outros livros que escreverei e farei parte (pretensioso) e qualquer texto meu.
Mas, quanto ao grupo Poetas de Pijama, mais uma vez, não tenho palavras para agradecê-los.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Microfonia e afinação.
Projeto Clicks&Teclas apresenta:
Se a vida é um show, quem é o verdadeiro artista que sobe ao palco para cantar? Alguns dirão que somos nós mesmos. Outros, que é Deus. Outros que é o destino. Os mais ousados dirão que é a união de moléculas e a explosão do Big Ben. Acredito, e aí é uma opinião pessoal, que o verdadeiro artista é a união do que somos e o que deixamos de ser. Talvez, o cantor é o resultado, a consequência do que nos tornamos. É a soma do passado com o presente, formando um resultado inesperado. Palavras clichês cheias de filosofia. Um psicanalista, lendo este texto, poderia dizer que tenho problemas ou que ando lendo muitos livros de psicologia ou, quem sabe, fazendo o uso de alguma substancia ilícita. Mas incito as pessoas a se perguntarem: “quem é o artista da sua vida?” Será o amor a estrela do show? Ou, quem sabe, a falta dele? Ou, melhor, a esperança de um dia sermos só amor? Mas, voltando à minha ideia, sigo o viés de que o artista é a consequência inesperada de nós mesmos, aquela que nos faz parar, pensar e dizer: “quando que eu estaria fazendo-dizendo isso”. Talvez, em outras palavras, o artista principal da nossa vida seja a sutil surpresa, o inesperado, o inabitável e assustador ponto de exclamação que não conhecemos. Entretanto, para chegarmos a este ponto, passamos por tantas vírgulas, tantos pontos-finais, tantos de interrogação, tantos pontos-vírgula e até os dois pontos. Por isso, o resultado é o nosso artista. O artista que ninguém conhece. A transformação. Está ai o nosso artista: transformação. A mutação rotatória de nós, seres pensantes. A ideologia mutável, questionável de nós mesmos sobre nós. Sobre quem fui, quem sou e o que serei, quem serei, como serei, quando serei. Todos têm um artista preferido, mas poucos interpretam bem suas canções. Foto: Glênio Freitas Jr.
Texto: Matheus Bandeira
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Coisas.
É como se tivéssemos algo concreto, sólido em nossas mãos e de repente o objeto virasse pó e suas partículas caíssem no chão e rapidamente tudo se desfizesse, ficando o chão limpo, como se nada tivesse acontecido, como se fosse tudo uma miragem, como se fossem apenas pensamentos, delírios, devaneios, lembranças de um passado ou uma alucinação de um presente. É como se rapidamente o copo secasse sem que tomássemos um gole do líquido que estava nele, como se evaporasse sem que percebêssemos, como se o vento levasse o vapor e nada sobrasse... Nem o líquido, nem o sabor, nem o copo. Nada, nada. Nada de tudo aquilo que tínhamos ou que temos. O que temos é um emaranhado de pensamentos frenéticos gritando em nossas mentes inquietas, tomadas por algum tipo de alucinógeno que nos transporta a um mundo totalmente diferente daquilo que realmente queremos ou desejamos, fazendo com que a ressaca do outro dia seja um conjunto vazio de sentimentos, de atos e de olhares. É como se nada houvesse para contar, como se tudo aquilo fosse uma mentira inventada por uma criança feliz, que brinca de ser o que não é. É como se o dia, as cores, as pessoas, as casas, os prédios, as ruas e os carros, a rotina, enfim, fosse tudo um cenário, um palco de artistas, que sabem que tudo aquilo não é a vida real, que é uma encenação, uma interpretação, uma grande trama disfarçada, a qual só eu não sei que é uma novela mexicana, onde eu sou o mocinho, o enganado, o grande idiota. O grande bobo com um sorriso amarelo, com fatos de outros, com expressões vendidas, com verdades mentirosas para contar. É como se fosse um quebra-cabeça que poucas peças se encaixam, que os encaixes mudam de formato numa velocidade incrível. É como se algo que não sei acontecesse e não existe explicação, motivo ou planejamento. Apenas acontece, no singular ou plural - tanto faz. É como se os móveis trocassem de lugar sem meu comando, meu movimento, sem o barulho da estante arrastando no chão de tábuas, sem os arranhões da mesa de jantar no piso de madeira, sem os barulhos dos vasos de vidro trepidando com as mudanças nada sutis de lugar. São perfeições de um sistema desconhecido que não me faz conhecer o seu porquê. Conheço apenas o intangível, o transparente, o vago e intocável vácuo de coisas sem explicações plausíveis, com denominação imperfeita de "coisas".
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
A luz da esperança
Projeto Clicks&Teclas apresenta:
A luz da esperança. (foto: Glênio Freitas Jr.)
E quando a realidade se mostra o que fazemos? O que fazemos quando tudo não passou de uma ilusão? Resta-nos a esperança. Talvez a tal luz no fim do túnel seja aquela vela guardada em um lugar estratégico na casa, onde e quando a luz elétrica se apaga inesperadamente, recorremos a ela, do mesmo modo quando enxergamos a realidade das coisas e salta-nos a esperança de que dias melhores virão. Dias melhores com luz elétrica para desfrutarmos de seus prazeres e luxos. Dias melhores com luz do sol, sem a escuridão bucólica da noite. Luz dos olhos brilhantes de alguém, que em determinado momento poderá, repentinamente, apagar a vela, com um sopro sutil, e deitar-se ao nosso lado na cama. Dias de sorrisos infantis, colorindo, abrindo espaço, chegando displicentemente, como o dia mais florido de primavera e o mais quente de verão. Quando nos é apresentada a tal realidade, que nos sussurra palavras cruéis, ao pé do ouvido, que tem gosto de fel, resta-nos, felizmente - e aí é uma questão de fé e de esperança - pegarmos uma vela e acendermos, esperando os dias melhores que com certeza virão.
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