quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Projeto Clicks&Teclas

Acredito que todas as imagens falam por si, elas transcendem o papel, captando uma ideia real, porém, sem história, com a que a pessoa que a analisa, tem. Daí surge a interpretação e este processo varia para cada intelecto. Porém, contrariando esta teoria artística, fui convidado por um grande amigo Glênio Freitas Jr, o qual tenho um respeito e admiração ímpar, a escrever textos que exteriorizassem as realidades mostradas nas fotos que, diga-se de passagem, muito bem enquadradas, perfeitamente capturadas e de uma sensibilidade incrível. Juntando o magnífico trabalho do Glênio com as minhas palavras, estamos apresentando o Projeto Clicks&Teclas, onde serão expostas duas fotos por semana, juntamente com um texto em cada uma, para brincarmos um pouco com a rotina e com nossas percepções sobre as coisas, as pessoas e o mundo. Tal projeto poderá ser visto através dos nossos endereços eletrônicos e não tem qualquer itinerário, ou seja, qualquer caminho pensado ou idealizado, senão a divertida brincadeira que se chama “vida”. Com a brilhante habilidade do Glênio para com as imagens capturadas e com as minhas palavras e frases, remontando a realidade das fotos, convidamos vocês a nos fazer uma visita e a brincar, também, neste universo nada paralelo. Espero que a diversão para vocês seja tão real quanto está sendo para nós. Os endereços para as visitas são: Glênio: Blog Randon Life http://randomlifegleniofreitas.blogspot.com.br/ Facebook:https://www.facebook.com/gleniofreitas; Flickr: http://www.flickr.com/photos/gleniofreitas/ Matheus: Facebook: http://www.facebook.com/matheus.bandeira.37 Blog Matheus Bandeira, Captando Palavras: http://www.matheusbandeira.blogspot.com.br/.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Coadjuvante de mim mesmo.

Já não te tenho há um bom tempo, aliás, nunca te tive. Nós apenas namoramos durante um período, mas, ter, no sentido de posse, nunca. Este "ter" que falo é no sentido de estar perto, de sermos companheiros, de sermos amigos, de nos olharmos, de nos amarmos, de eu poder contar contigo nas minhas horas de tristeza, que estão sendo muitas, por sinal. Não te vejo, também, há tempos. Promessas de um futuro perfeito me vem na cabeça, fazendo tudo girar, vozes gritam dentro de mim,tua voz sussurra ao meu ouvido e não nos olhamos mais na cara um do outro há dias, meses. Como pode ser assim? Lembro de tudo o que passou e fico confuso pelo simples fato de não termos mais nada e no passado tínhamos tudo, absolutamente tudo. Tua risada na cama, deitada, me abraçando e me beijando as costas. Hoje já não sinto mais aquelas mãos, me descobrindo, me desenhando, aliás, ninguém mais me tocou. Não seria a mesma coisa, não seria justo, não seria eu. Estaria contigo na cama com alguém que, provavelmente, teria um orgasmo fecundado em mentira. As coisas ainda me lembram, me fazem pensar em ti. Uma piada parecida com as que tu contavas basta para eu me fechar e pensar que tínhamos um ao outro e hoje temos tudo e não tenho nada. A comida preparada, os lugares e algumas pessoas me fazem lembrar de ti e aí elas começam a falar e eu começo a notar que elas ficam mudas. Os lábios continuam mexendo, aparecem os dentes, os olhos se espremem, conforme o jeito de cada uma, e eu me transporto até a ti. As pessoas que conversam comigo, no momento do diálogo, se transformam em meros coadjuvantes de uma conversa minha comigo mesmo. Tudo fica meio cinza, quando me transporto a ti, quando me lembro de ti e não pelo fato de seres tu, mas, sim, pela realidade cruel que é ter de aceitar que devo te amar em silêncio. Isto é uma violência sem tamanho. Uma tristeza profunda e uma insatisfação crônica. É como destruir os sonhos de uma criança que ainda acredita em Papai Noel. Trazê-la para a realidade de uma forma abrupta, grosseira, violenta. Às vezes, porém, eu esqueço, ou melhor, não lembro. Faço coisas diferentes, aleatórias, e sou feliz. Penso que seria mais feliz se... Se não houvesse o "se". Talvez o cinza seria colorido ou talvez textos como este não existiriam, mas a vida seria sem graça ou, quem sabe, com uma graça que só de pensar dá vontade de sorrir. Mas como esquecer do grande amor? Por enquanto, impossível.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Um nada sutil eu.

Estes dias estava pensando nas coisas da vida, no que aconteceu e o que foi acontecendo, como consequência. Pensei em mim. Pensei em mim em todos os ângulos sem mover minha cabeça um grau sequer. Lembrei de mim há dois, três ou até quatro anos atrás. Bateu saudade, ao mesmo tempo em que pensei que aquele eu não existe mais e o que eu tenho agora, em mim, é alguém melhor. Não estou falando isto para me promover ou aumentar meu ego ou qualquer coisa do gênero. Mas, a cada ano que passa, estamos, ou melhor, nos tornamos pessoas mais interessantes. As pessoas que vão passando por nossa vida deixam algo e aprendemos com isso, um livro que lemos, um programa de TV que assistimos, enfim. Tudo é motivo para aprendermos. E, por isso, sou convicto de que sou uma pessoa melhor que antes. Pensei mais sobre meus relacionamentos, como foram e como serão, os que tiverem de ser. Lembrei de cenas engraçadas, de amores prometidos, de "para sempre" não cumpridos, de coisas que vivi. Depois pensei nos meus amigos, os de verdade. Sim, eu tenho amigos que não são de verdade, os companheiros de festas, de cervejadas, de piadas no fim da noite. Meus amigos sempre companheiros de qualquer coisa, de qualquer indiada, de qualquer situação. Como sou grato por não ter somente um, dois ou três amigos. Tenho alguns, não muitos, mas o suficiente. Dizem que librianos têm esta facilidade em socializar com diversas pessoas. É verdade. Pensei em como estou agora. Vivendo e não mais sobrevivendo. Sorrindo e não mais inventando desculpas para fazê-lo. Sentindo e não me matando. Pensei em mim de maneira bem egoísta. Em tudo, em todos os setores da minha vida. Tenho feito amizades e as aproveitado constantemente, seja por telefone ou visitando todo mundo que, em mim, cativa algo bom. Tenho me aproveitado mais. Tenho me resgatado e feito tudo aquilo que quero fazer, com meus limites, obviamente. Com vinte e quatro anos, quase vinte e cinco, tenho algumas experiências e saberei contá-las a quem quiser saber da maneira certa, sem interferências, influências ou qualquer outra coisa. Tenho uma visão muito minha sobre tudo, embora permaneça em meu silêncio, vejo muitas coisas, anoto, mentalmente, algumas palavras, rabisco frases e concluo. Sempre concluo. Formado em direito, busco a justiça não só em papéis e processos mofados. Isso é um lema da minha vida. Tento ser o mais justo possível. Às vezes consigo, às vezes sou humano. Falando em ser humano, tenho meus erros, claro. Mas entre eles, há muitas qualidades que não tenho motivos para elencá-las aqui, neste momento. Basta me conhecer para justamente me conhecer e ver que não estou mentindo. Que erro, que acerto, que luto, que fujo, que finjo, que choro e que oro. Também não sou nenhum desesperado que ri de tudo. Não. Já passei desta fase e, agora, dou risada daquilo que é exatamente engraçado, que me faz rir e até chorar de rir. Um nada sutil eu, que brinca e que se irrita com coisas que na maioria das vezes, passa despercebido por outras pessoas. Talvez eu seja sensível demais ao mundo ou aos olhos de quem me vê, mas isto eu não levo em consideração, porque eu, graças a mim, sou eu mesmo. Nietzche teria orgulho de mim com esta frase, mas é verdade. Um ser que chora, que ri, que se diverte, que tenta se divertir, que ama, que é inundado de sentimentos. Um cara que não sabe viver sem perguntas e sem respostas. Um ponto interrogação depois de um "porque" é muito comum e eu adoro isto. Com dúvidas, inseguro, irritável, libriano. Estas linhas me fazem. Estas palavras me traduzem. Outras seriam exagero. Talvez o texto fale por mim. Acho que sim.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Rosa Monique

É como uma rosa vermelha em seu mais perfeito momento, estado. Em sua mais perfeita cor, textura, vida. Linda sem exigir nem exibir nada além do que, simplesmente, é: bela. Os espinhos existem para poder segurá-la, lembrá-la que a realidade não é somente a seda vermelha que a envolve. A protegem das desventuras da vida e desafiam os que tentam arrancá-la do seu pé, tirá-la de si mesma. Vermelha, sexy. Quente. Lembra o prazer. O pecado capital. A pele que brota a sensualidade livremente. Na baforada de um cigarro, mostra toda sua feminilidade e inocência. Parece estar escrita nas folhas de Jorge Amado. A elegância, a simpatia, a luz e a sutil e inseparável sensualidade a faz.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

My way.

Arrumou a mala e partiu. Antes disso, tomou um banho, escovou os dentes e se foi. Numa mão, segurava a mala pesada, enquanto que na outra segurava um cartão vermelho. Era madrugada quando decidiu partir. A chuva insistentemente fria batia em seu rosto, lavava seu corpo, praticamente o impedia ou, pelo menos, tentava o impedir a seguir seu caminho. Ele não pensava em nada além dela. Entregou-se aos seus pensamentos de uma maneira verdadeira e acreditava que estava certo. Deixou para atrás seus pais e amigos. Emprego e bens materiais. Desiludido, pisava com vontade nos seus sapatos pretos, encharcados pela chuva. Seus passos curtos e rápidos o levavam para a fuga mais necessitada da sua vida. Estava fugindo da felicidade que outrora provara, que outrora tinha em suas mãos. Chegou na rodoviária com olhar triste, amargurado, quase chorando, mas sério, sóbrio, decidido e sentou em um banco, protegendo-se da água que caía torrencialmente do céu. Acendeu um cigarro e deu-se por conta de que ele era seu único companheiro. Uma amizade fatal. Recostou a cabeça no encosto do banco e começou a lembrar do que vivera naquela cidade, mais precisamente nos seus últimos dois anos. Lembrou dos amigos, dos copos de uísque, das festas, dos momentos com a sua família, com seus cachorros e até dos que passara sozinho. Lembrou de sua amada. Uma lágrima rolou quando de repente ouviu uma voz dizendo: "te amo para sempre". Ele a imaginara ao seu lado, naquele banco frio, naquela madrugada fria e chuvosa. Estava sozinho. Sozinho com seu cigarro que queimara todo no meio de seus dedos, mas que por estar longe dali nem lembrara que já tinha chegado ao fim. Lembrou das flores, dos poemas, dos textos, das risadas, da separação, do amor que ainda sentia por ela e que não diminuíra um milímetro se quer. Mas não fazia mais sentido. Nada mais tinha sentido. Lembrou de frases ditas, frases românticas, tão sinceras, tão lindas e chorou. Pousou seus cotovelos nas pernas, baixou a cabeça e chorou. Chorou tanto, que os soluços foram inevitáveis. Já não via sua amada há meses e esperava um contato a qualquer minuto. Olhava o celular a todos os momentos, mas nada aparecia e quando aparecia eram mensagens da operadora. Continuou chorando e lembrando dos bons momentos vividos, que só restavam ser esquecidos, mas esquecê-los estava sendo praticamente impossível. O ônibus chegou e ficou ali por alguns minutos até o motorista anunciar o destino. Então ele se levantou, foi até o guichê de passagens e comprou um bilhete. Subiu no ônibus sem nem saber para onde estava indo. Estava perdido. Na mão direita o bilhete, na esquerda o cartão vermelho. Sentou na sua poltrona e lembrou de palavras e frases como: "para onde tu fores, eu vou". Fechou os olhos e a imagem dela lhe fitando, com um sorriso não saía da frente de seu rosto. Lembrou dos seus beijos apaixonados e a imaginou com outros homens. Sentiu o peito apertar, o sufocar e chorou. O motorista deu a partida e ele encostou a cabeça no vidro do ônibus. Olhou para a rodoviária na esperança de que sua amada tivesse ido lhe dar tchau ou lhe pedir para ficar. Mas não tinha ninguém, só um cachorro encolhido, perto do banco onde estivera sentado por alguns minutos. As lágrimas caiam dos seus olhos como água em torneira. Pegou o cartão e leu as palavras escritas. Apertou o mesmo contra o peito, leu de novo e sussurrou: "estou fugindo de você, meu amor".

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Eu (de verdade)

Não há o que escrever. Não existem palavras que possam expressar meu momento. Tenho enfrentado a mim mesmo diariamente, erguendo a cabeça e seguindo meus passos sem saber onde eles vão levar. Facilmente sou levado pelo vento e o caminho ainda é sombrio, misterioso. Me pego, no meio do percurso, lembrando do meu passado com a minha mãe, do meu tempo de calouro e de ti. Tenho procurado estar mais presente com a minha "véia" (apelido da mãe), aos poucos estou me readaptando à insegura faculdade e ainda choro a tua distância literal de mim. Me sinto sozinho, jogado no meio do nada, sem ninguém para me dar um abraço. Só que quado caminho neste lugar, algumas pessoas aparecem e te procuro entre elas ou até mesmo nelas, na ânsia de me sentir amado, maquiando o desejo visceral de estar contigo novamente me acalmando e me dizendo que vai estar tudo bem. Não quero mais esta vida para mim. Quero aquela em que tudo estava bem. Quero aquela segurança toda de poder estar tranquilamente bem de volta.

Pra Rua Me Levar - Ana Carolina

Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho onde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus, e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
Eu vou lembrar você

É mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora