domingo, 18 de julho de 2010

Here Is Not My Place!

O dia está cinza, hoje. A chuva chora meu sentimento mais profundo e oculto. Quero acreditar que amanhã o sol aparecerá, brilhando para mim, invadindo meu quarto, minha casa, minha vida, me fazendo sorrir, rir e chorar de alegria. Esperanças mentirosas dominam a existência do meu ser e fazem com que o desânimo que sinto, quando estou cansado, se torne companheiro de todas as horas.

Aqui não é o meu lugar e, mesmo sabendo disso, não posso fazer nada. Amarrado à uma camisa de força, minha vontade se esvai com os pingos da chuva e meus braços perderam suas forças com o vento. Minha voz grita e ninguém consegue me escutar, como se estivesse num ambiente isolado, talvez, numa ilha deserta.

Não posso mais ir contra mim mesmo, porém, descansar não é a melhor saída e, também, agir, neste comento, não é a solução. Esperar o dia de amanhã me cansa e faz eu pensar o quão inútil tem sido meu tempo. Não posso mais ser o que tenho sido e nem quero mais isso. Aqui não é o meu lugar.

Quero as asas de um pássaro livre, que voa por todos os lugares com a paciência e a calma de um relógio. Quero o lirismo mais apaixonante da vida moderna, anestesiado por uma saudade do que não tive. Quero a embriaguez do ébrio, que, naquele momento, é feliz e acaba esquecendo a sua realidade, do amanhã, do agora e do ontem, mesmo que esses sejam os motivos da sua bebedeira.

Não quero mais a doença cardíaca e mental da dependência vadia, mundana, sem vergonha da vida dos outros, mesmo que esses outros sejam próximos, tão próximos que são quase um só. Talvez se tudo fosse tão mais fácil. Talvez se tudo fosse tão menos complicado. Talvez se não existisse a palavra talvez para nos abrir nossos leques de opções sem sentidos, sem exatidões, sem nada.

Uma esperança cansada, desacreditada, triste, vem em meus pensamentos e me faz sonhar e quero que esse sonho nunca tenha fim e que o relógio nunca desperte e que o dia nunca nasça e que o amanhã se faça presente na realidade do meu sonho. Uma casa no campo. Uma casa na praia. Uma casa cidade. Um filho ou filha de cuca legal. Amigos, música e nada mais.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Vem.

Como a lua que chega devagar,
Como o mar que vem sem pedir,
Como o sol que queima sem querer,
Como a flor que brota desavergonhada.

Como o mundo que está a girar,
Como uma criança a rir,
Como o sol ao amanhecer,
Como o ébrio pela madrugada.

Assim, sem pedir, tu vem.
Assim, sem querer, abro meu sorriso.
Então, eu vejo quem é quem
E te dou meu sinal mais preciso.

Vem. Chega. Me chega.
Vem e me diz quem tu és.
Não quero ver e nem que vejas,
Ser feliz, apenas, é o que a gente quer.

domingo, 4 de julho de 2010

Vinícius de Moraes: saudade!


Dia 09 de Julho de 2010 o Brasil inteiro deve cantar "Onde Anda Você". Dia nove estaremos completando trinta anos de saudade do "poetinha", como gostava de ser chamado, Vinícius de Moraes. Sua vida profissional como diplomata no Uruguai era atribulada nos bares e nas madrugadas quentes dos bairros cariocas. Logo, simplesmente, foi ser feliz. Sua música cheia de gingado tipicamente brasileiro marcou a musicalidade do nosso país na década de 1960. Iniciava um grande movimento jamais visto: a Bossa Nova.

Um sambinha rasgado e uma melancolia quase que disfarçada por um gole de cerveja. É assim que conceituo a Bossa Nova. Um dos mentores desse movimento, Vinícius, boêmio, antes de mais nada, casou inúmeras vezes. Com diversos casos amorosos no currículo, um amante da vida e de um bom uísque, o poetinha nos deu a chance de pensar na vida, com suas letras cheias de aprendizado.

Vinícius cantou com diversas pessoas, mas sua parceria de maior sucesso foi com Tom Jobim. Amigos inseparáveis, viram em uma mulher, uma, apenas, todas as mulheres brasileiras e dela nasceu a música mais famosa do Brasil, gravada por Frank Sinatra: Garota de Ipanema. A garota? Ninguém mais, ninguém menos que Helô Pinheiro. Uma mulher linda e cheia de charme, imortalizada, também, junto com a melodia deste samba, famoso por cultuar a mulher brasileira.

Ninguém mais conseguia transformar o seu show em um parque de diversões como Vinícius de Moraes. Mas como sei disso se tenho apenas vinte e dois anos? Eu tenho DVD! (risos). Ele era simples. Um cara inteligente, culto, de sangue branco com uma mistura negra por amor e apego. Sempre usava expressões e palavras da religião da Umbanda em seus espetáculos. "Saravá", Tom Jobim. Era assim que ele venerava a existência das pessoas mais queridas.

Formado em Letras na universidade e em música desde criança, Vinícius nos deixou uma vasta, uma imensa, uma gigantesca herança. A primeira é que sem amor, sem paixão, sem tesão por alguém, não podemos ser ninguém. Amante inveterado, o poeta casou-se nove vezes. Sua primeira filha nasceu em 1940. A segunda é que não adianta sermos tristes. E, dentre tantas outras, a terceira: devemos amar a vida e o resto é somente o resto.

Trinta anos e suas letras, frases e poemas ainda são lembrados por todos os bons brasileiros que amam a inteligência, a cultura, a intelectualidade, o romantismo. Seu vocabulário sem pudor nos traz a força do amor e da paixão à tona. Nos faz ver o quão romântico ele era.

Vinícius nos força o pensamento de que as melhores coisas são aquelas mais simples. Sentar na praia à beira do mar com um amigo. Beber um pouco e contar dos nossos planos. Simplesmente conversar e deixar o sol cair, enquanto a cidade fria e cheia de stress corre. Tarde em Itapuã nos traz a idéia ideal de um dia perfeito. Tantas outras músicas.

Com seu cigarro e o seu peculiar copo de uísque na mão, Vinícius de Moraes cantou e encantou a todos com sua simplicidade e a sua capacidade de falar tão abertamente sobre o amor, da forma mais simples, mais honesta, mais humana, mais forte. Trinta anos sem a sensatez do boêmio, cantor, poeta, escritor, amigo, amante, diplomata (que na verdade nem foi) Vinícius.

"E por falar em saudade, onde anda você? Onde andam seus olhos que a gente não vê?"

O Problema São Os Jogadores.


A sala está cheia. Mais ou menos cinquenta jornalistas cheios de perguntas e um sentimento de perda, de desilusão. Um romantismo maquiado entre a revolta e a raiva. Um sentimento qualquer sem explicação, porém, nada bom. Uma dor. Uma derrota.

Então, um sujeitinho com um casaco preto, todo cheio de botões, assinado por um estilista famoso, senta na cadeira e começa a olhar todos os jornalistas que o cercam. Um olhar frio, triste. Um olhar de desculpas. Com o cabelo arrepiado e um ar de receio, autoriza o início das perguntas.

_ Dunga, qual foi o erro da seleção brasileira?
_ O problema todo é dos jogadores.
_ Mas, Dunga, se você tivesse substituído o Kaká pelo Nilmar, talvez pudéssemos ter ganhado.
_ É, mas o problema são os jogadores.
_ Dunga, o frio foi um potencial inimigo da seleção brasileira. Será que o calor que fez no dia da partida contra a Holanda prejudicou os jogadores?
_ O problema são os jogadores.
_ A sua relação com a Rede Globo está amenizada?
_ O problema são os jogadores.
_ Dunga, a sua permanência na seleção brasileira ficou difícil de ser concretizada depois dessa derrota.
_ O problema são os jogadores.
_ A Holanda, no primeiro tempo, deixou a bola rolar no campo de ataque do Brasil. No segunda tempo, foi ao contrário. O que aconteceu, afinal, com a seleção "Canarinho", pois o rendimento caiu muito no segundo tempo, nem parecia o mesmo time!?
_ É. O problema são os jogadores.
_ Dunga, quais os planos para o futuro.
_ Eu quero uma casa no campo, agora e um filho de cuca legal.
_ Dunga, o esquema tático atrapalhou?
_ O problema são os jogadores.
_ Mas você é o técnico. O problema não é só dos jogadores.
_ É, o problema são os jogadores que eu deixei no banco e não os aproveitei e nem os que eu não chamei para a Copa, por isso, o problema são os jogadores que não jogaram.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Regina

Me xinga. Me bate. Me aperta. Me morde. Me arranha. Me beija. Me abraça. Me sufoca. Me ama. Me fala. Me cala. Me abala. Me mata. Mata de rir, de existir, de viver e de ver. Me joga pra cá, pra lá. Me bate e me joga na parede, me chamando de lagartixa. Me invade, me suporta, me conforta, me aquece. Me congela. Me invalida. Me deixa bem. Me deixa de bem. Me esquece. Me lembra. Me paga. Me cobra. Me cuida. Me abstém. Me deixa. Me larga. Me envolve. Me queixa. Me deseja. Me mantém. Me exalta. Me falta. Me sente. Me mente. Me inventa. Me conta. Me monta. Me pega. Me seduz. Me reduz. Me encaixa. Me estupra. Me passa as mãos. Me come. Me transa. Me ordena. Me acena. Me sorri. Me gargalha. Me faz sair. Me faz ficar. Me tem. Me obtém. Me chega. Me vem. Me vai. Me reza. Me cancela. Me regenera. Tantas coisas. Tantas pessoas em uma só.

Geonina, Boteco, Feriado e Maria Rita.

Pessoas interessantes e conversas animadas ao pé da mesa com duas panelas de fondue no fogo. Amigos reunidos e o frio chegando. Folga para assistir ao jogo do Brasil e vê-lo ganhar. Perfeito! Geonina? Será? Quem vai? Centro! Mais amigos e uma conversa sensata e um tanto quanto triste. Sempre há os momentos em que os amigos têm de emprestar seus ombros e, ontem, eu fiz isso. Uma cena meio constrangedora para alguém, mas nada anormal. A medida que o tempo vai passando, meus amigos começam a se habituar com a situação nova e tudo se transforma num carnaval de risadas e num bacanal de palavrões. E aquele assunto triste já nem é lembrado ou, pelo menos, naquele momento, fora esquecido. E eu? Eu ali. O constrangimento desse alguém já se transforma numa vergonha contida, misturada com uma risada sem vergonha e nada tímida. "Vambora!" E aí, o frio toma conta do corpo. É o inverno que chegou sem dar satisfação, sem explicações, sem mais nem menos. Apenas chegou fazendo com que os corpos gelem a uma temperatura nada agradável. Quer beber alguma coisa? Vinho ou cerveja? Ok! Cerveja, apesar do frio. (Momento cultura e futebolístico, agora): A cerveja, originalmente vinda da Holanda, - próxima seleção adversária do Brasil na Copa - é servida em temperatura ambiente no seu país de origem. No Brasil, porém, mesmo os termômetros marcando 8ºC, cerveja boa é aquela beeem gelada. (Ok! O momento bobagem passou!) Conversa vai e conversa vem. Risadas e mais risadas. CD's de adversários de sinuca e pessoas pedindo fogo. Nada muito coeso, mas eu entendo. Tu também, né? Ok! Vamos fazer o quê? Tudo bem. Geonina. Nada de estudos. Nada de casa. Geonina é a melhor opção. Bem como disse Carlos Drummond de Andrade: "no meio do caminho havia uma pedra". Aí bateu a dúvida: será mesmo a Geonina a melhor opção? Então, o impasse e o momento introspectivo chega par atordoar as nossas cabeças. Mentes pensantes no ônibus em plena madrugada. Ok! Vamos para o Boteco! E aí... hehehe... Aí a cerveja tomou conta e a vontade também. O frio nem era mais sentido. Os pagodeiros nos aqueciam com suas vozes desafinadas e seus gritos melancólicos quase chorando com as letras das músicas. A bagunça estava formada. Mais amigos reunidos. Noite perfeita! Cigarros, amigos, cerveja e boteco. Rá! Combinação exata! Porém, tudo que é bom termina. Está na hora de irmos para casa! Todos nós! Eu, tu, eles e a nossa vontade gritando. E, assim, foi feito. Feito e confirmado os pensamentos mais sórdidos. A carne grita no meio da rua e os olhos se fecham. Tudo muito bom. Tudo muito bem. Fomos até à parada final, esquecendo das ruas e do que poderia acontecer. No outro dia, no almoço, contidos e sérios. A tarde convidativa para um passeio batia na janela do quarto. Tudo tão estranho, tão diferente, tão bom, tão peculiar. Praia e sol. Abraço e música. Maria Rita cantando para nós e as ondas estourando a paz de um feriado que foi nosso.

terça-feira, 16 de março de 2010

Big Cultura Brasil


Fútil é achar que o programa “reallity show”, da Globo, Big Brother Brasil é fútil. Ignorante é aquele que ignora certas coisas, certos assuntos e certas realidades e devemos afirmar que qualquer pessoa que se desfaz de um programa como este é um ignorante fútil.

Não trabalho na Globo, embora adoraria. Não sou parente de nenhum participante de nenhuma das edições do BBB. Não conheço pessoalmente o Pedro Bial, enfim, não tenho vínculos com nada e, talvez, por isso, me sinto na obrigação de expressar o sentimento de cumplicidade que tenho com o BBB.

Nós, seres humanos, sabemos quando é a hora de chorar, de rir, de beber, de ir no banheiro, de fazer as coisas simples da vida ou as nem tão simples assim. Nós, seres humanos, sabemos e conhecemos nossos erros e nossas virtudes. Nós, seres humanos, conhecemo-nos como ninguém e até podemos e conseguimos prever certas atitudes que iremos tomar.

Nós, da raça humana, somos tão fracos e tão simples. Tão delicados e tão rudes. Tão meigos e tão estúpidos. Tão nós. Não precisamos de ninguém, aqui fora, para dizer que o choro por não ter escutado a voz da mãe deve parar. Pois, nós, aqui de fora, não sentimos tanta falta de um simples “alô” da mulher que nos colocou no mundo pelo simples fato de termos ela todos os dias ou, pelo menos, para quem ainda tem mãe, ter a liberdade de telefonar quando quiser e ouvir a voz dela.

Também, não choramos quando ficamos mau cheirosos e nem nos preocupamos quando acordamos escabelados e sem maquiagem, com a cara parecendo um maracujá de gaveta ou qualquer outra fruta que lembre algo assombroso. Não justificamos nossos julgamentos para certas pessoas, talvez, por essa pessoa nunca conviver ou ter convivido conosco, fazendo com que seja impossível não olhar para ela todos os dias.

Não precisamos justificar atitudes indesejadas. Não precisamos nos esconder ou esconder certos sentimentos por medo de que alguém possa interpretar erradamente. Também, não temos um público de milhões e milhões de pessoas, que irão decidir se o nosso comportamento está sendo coerente, quando temos a certeza de que está. Não temos um cara dizendo sermões e sermões para justificar e amenizar o sentimento de desagrado do público para conosco. Isso deve ser engolido por nós, pois quem já não trabalhou ou conheceu alguém que não gostava de nós?

Não ganhamos prêmios, não recebemos a visita da Ana Maria Braga para fazer e almoçar conosco. Não ganhamos um camarote no Sambódromo da Sapucaí no primeiro ou segundo desfile. Em compensação, ganhamos o aprendizado todos os dias , depois da novela das nove. Ganhamos a cultura que somente o povo brasileiro pode nos oferecer, sem americanismos. E o fato de achar impossível a futilidade do programa é por puramente ter a certeza de que existem muitos “eus” ali dentro com os participantes, pois eu choro, eu bebo, eu me divirto, eu falo besteira, enfim.

Eu sou como eles em diversas atitudes. Eu sofro quando a minha mãe está longe. Eu sofro com saudade do meu pai. Eu choro por saudade do meu amor. Eu choro por tantas coisas que eles também choram. Eu dou risada quando bebo. Eu danço quando eu bebo. Eu brinco quando eu bebo. Eu bebo como eles. Eu acordo de mau humor como eles. Eu brinco de guerra de travesseiros como eles. Eu faço tantas coisas como eles e, justamente, por isso, que eu não posso caracterizar o programa como sendo fútil, pois, se o fizesse, estaria me chamando de fútil, porque ali é a verdadeira humanização do ser humano para todo mundo e todo o mundo assistir.

Ali dentro da casa é sentimento e só sentimento. Seja ele de raiva, de carinho, de saudade, de amor, de tesão, de fome, de frio, de compaixão, de amizade, seja o sentimento que for. E, nós, da raça humana, não somos sentimentos, também? Ou será que existimos somente com a razão enraizada em nós mesmos que não conseguimos agir e muito menos pensar com a emoção? Não! É impossível uma pessoa não expressar o sentimento que há dentro dela em qualquer circunstância da vida e no BBB não poderia ser diferente, visto que são pessoas, como nós, que estão confinadas.

Então, deixemos de ser seres irracionais e sejamos racionais e sentimentais para sabermos que podemos aprender com os erros dos outros e estes outros são os participantes. Podemos aprender que o amor, pode, realmente nascer em menos de noventa dias, pois vários participantes já namoraram durante um bom tempo e quem vai dizer que durante este baita tempo ou somente durante o tempo de confinamento não existiu amor? Podemos aprender que viver atrás de dinheiro não é tudo e que vale bem mais apena viver atrás de dinheiro e também, viver, sem deixar as coisas boas da vida de lado.

Aprendemos que não devemos ser outra pessoa, pois algum dia a máscara irá cair e nossa má conduta será analisada e julgada. Devemos ser nós mesmos, custe o que custar. Devemos ser humanos racionais e sentimentais, como os participantes do BBB.