terça-feira, 23 de novembro de 2010

Bar, Doce Bar.

De noite, fui ao mesmo bar que freqüento há anos. Lá, ao chegar, sentei junto ao balcão e rapidamente fui pedindo uma taça de carinho e aperitivos de sinceridade. Fui atendido prontamente, como sempre. Tomei a primeira taça e pedi mais uma. Mais uma. Mais. Mais. Mais. Quando já estava embriagado de carinho decidi ir para casa. Cambaleando, pela rua, comecei a pensar em algumas coisas sobre a vida. Aliás, todo ébrio reflete sobre a sua vida e pergunta-se como ela está. Chegando em casa, tomei um remédio e fui deitar. Na outra noite, retornei ao mesmo bar e bebi a mesma bebida e comi a mesma coisa e isto se repete há vários anos. Conheço e muito os frequentadores deste bar. Eles sabem toda ou quase toda a minha vida. Temos um vínculo criado, imaculado pelas veias do tempo, pelo companheirismo de tantos anos dividindo o mesmo bar e, praticamente, a mesma vida. De repente, este vínculo não deveria ser tão estreito ou eu deveria ter mais liberdade para escolher outros bares pela cidade, afinal, não existe apenas um. Ele não é o único. Então, decidi que naquele momento deveria gozar mais da minha liberdade, das minhas escolhas e acreditar nelas, pois há tantos bares e aquele que frequento há tanto tempo já apresenta rachaduras e sua estrutura parece tão frágil. Apesar do luxo, aquele bar merece uma reforma, uma obra. Assim, procurei outros locais para me refugiar. Li alguns anúncios no guia local e decidi frequentar um no centro da cidade. Lá fui tratado como queria. Livre, porém, com zelo. Não haviam músicas melancólicas e nem bêbados gritando, falando alto, como no outro sempre houve. O meu atual bar era de outro nível. Pessoas mais jovens o frequentam. Talvez seja um bar de universitários. Não há o mesmo luxo do outro, porém, aparenta ser um pouco mais aconchegante. Logo que cheguei, pedi uma dose de liberdade com cubos de gelo e alegria para comer. Prontamente fui servido. E durante alguns dias, todos os dias, lá estava eu bebendo a mesma coisa e comendo a mesma opção do cardápio. Outros clientes de outros bares me convidaram a frequentá-los, porém, educadamente, apenas, agradeci. E, neste bar, fiquei algumas horas, sozinho, pensando na vida. Embriagado de liberdade e embuchado com a alegria, decidi que deveria retornar ao velho bar. Não poderia, simplesmente, não ir mais lá. Seria muita falta de consideração, afinal, os frequentadores dele sentem a minha falta. Talvez, eles devem avistar a minha cadeira e a minha mesa vazias, sem ninguém, sem a minha presença e, possivelmente, se perguntam onde e como estou. E, de repente, entrei no velho bar. Vi que minha mesa, meu canto, minha cadeira, estavam limpas. Minha recepção não foi tão calorosa, porém, me ofereceram uma dose de sorriso, de amor, de carinho e amizade, sinceridade e liberdade para comer. Me senti bem, de novo. Não havia música e nem clientes. Estava sozinho no bar, no velho bar de sempre, novamente.

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Agradeço imensamente à Geniffer Silveira por ter me acolhido na sua casa durante alguns dias, ao Leandro Moreira pela sua amizade e cuidado, à Regina Guimarães pela amizade e sinceridade de sempre, à Daniela de Andrade pela amizade e cuidado, ao Renan Juliano pelo cuidado, ao João Medeiros pela amizade e preocupação, ao Vinícius Rodrigues pela amizade e solidariedade, à Priscila Mukai pela amizade e preocupação, ao Pierre Machado pela solidariedade, à Nathalia Ramos pela amizade e carinho, à Vânia pela carinho em tão pouco tempo, ao Graciliano Marquês pela amizade e companheirismo, enfim, obrigado a todos aqueles que, de certa forma, me fizeram bem em algum momento.

Um comentário:

PRIYURI disse...

LINDO!!!Nem preiso te dizer que adoroo tudo que escreves..e em relação ao agradecimento...essas coisas não se agradecem...ainda mais quando são feitas de coração!!
;P Priscila Mukai.